Projeto da UFPA combate evasão de calouros com imersão em TI no CTIC
UFPA, março de 2026 — O ingresso no ensino superior, especialmente nos rigorosos cursos de engenharia e ciências exatas, deveria representar a consolidação de um sonho. No entanto, quando o listão de aprovados da Universidade Federal do Pará (UFPA) é publicado e as comemorações terminam, a euforia inicial muitas vezes dá lugar a uma realidade desafiadora: a adaptação a uma rotina acadêmica exigente, marcada por fórmulas complexas, matrizes, teorias abstratas e, cada vez mais, pelo uso constante de tecnologias digitais.
Para muitos estudantes egressos da rede pública, essa transição ocorre em meio a dificuldades de base e à necessidade de compreender rapidamente o funcionamento do ambiente universitário. É justamente nesse ponto que atua a Oficina de Nivelamento ITEC, carinhosamente conhecida como NIVELAS. Há cerca de quinze anos, o projeto se consolidou como uma política de extensão contínua voltada ao acolhimento dos calouros, ao reforço de conteúdos introdutórios e ao enfrentamento de uma questão central para a universidade pública: a evasão estudantil.
Em 2026, a iniciativa alcançou um novo patamar organizacional. Entre os dias 2 e 6 de março, centenas de calouros participaram de uma maratona de aprendizado nas instalações do Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação (CTIC) da UFPA. O espaço recebeu atividades de Informática Básica e Programação Estruturada, em uma experiência que aproximou os estudantes tanto dos conhecimentos técnicos quanto da infraestrutura digital que sustenta a vida acadêmica.
A proposta partiu do entendimento de que a alfabetização do século XXI é também digital. Mais do que ensinar conteúdos introdutórios, a ação buscou mostrar aos novos estudantes que a tecnologia não é um elemento distante ou inacessível, mas parte concreta do cotidiano universitário.
Para Antônio Martins, organizador dos eixos de Informática Básica e Programação e estudante de Engenharia da Computação, o Nivelamento se propõe a ser a porta de entrada dos calouros nesse universo vasto que é a UFPA, e o CTIC integra esse processo. Segundo ele, ao incorporar o centro às atividades, o projeto permite que os alunos conheçam esse espaço e percebam que ele faz parte do sistema que compõe a universidade e a ajuda a funcionar.
Antonio destaca ainda que, no eixo de Informática Básica, são apresentados muitos dos serviços digitais utilizados pelos estudantes da UFPA diariamente, e boa parte deles é fornecida pelo próprio CTIC. Ao permitir que os alunos acessem o espaço físico em que esses serviços são disponibilizados, o projeto oferece uma visão mais concreta desse ambiente e de como ele auxilia no dia a dia da vida acadêmica.
Na avaliação do organizador, esse contato é ainda mais importante porque muitos calouros chegam à universidade com pouco conhecimento sobre tecnologias digitais, apesar de essas ferramentas serem exigidas a todo momento no cotidiano universitário. Ao mostrar previamente como utilizá-las, em um ambiente adequado e com voluntários orientando os estudantes, o Nivelamento cria condições para que eles se ambientem melhor antes de precisarem aplicar essas ferramentas nas disciplinas de seus cursos.
Para ele, a iniciativa também fortalece entre os estudantes um senso de unidade institucional. Ao conhecerem o CTIC, os calouros entendem que os serviços digitais da universidade não funcionam de maneira abstrata ou isolada, mas dependem de pessoas, estruturas e setores articulados. A mensagem que permanece dessa parceria, afirma Antonio, é que o ensino vai além do ambiente da sala de aula comum, unindo arcabouço teórico e prática necessária ao cotidiano universitário.
A mesma perspectiva é compartilhada por Jefferson Ribeiro, ministrante de Informática Básica e Programação, e aluno de Engenharia da Computação. Para ele, a realização das oficinas nas dependências do CTIC é imprescindível, pois permite que os calouros se familiarizem com a infraestrutura tecnológica da universidade. Além disso, a iniciativa consolida o papel do CTIC como agente ativo no desenvolvimento das competências técnicas essenciais desde o início da graduação.
Jefferson avalia que essa integração é fundamental porque, ao vivenciar esse contato dentro do CTIC, o discente não apenas domina ferramentas técnicas, mas compreende a infraestrutura que sustentará toda a sua trajetória acadêmica. Com isso, estabelece-se uma conexão direta entre o aprendizado lógico e os serviços informatizados da instituição.
Na prática, segundo ele, o impacto é profundamente positivo. Ao dominar os serviços informatizados da UFPA em um ambiente de suporte especializado, o aluno adquire mais autonomia e confiança para navegar pelo ecossistema acadêmico. Isso se reflete em um desempenho mais fluido e na redução de barreiras digitais que poderiam comprometer o início do curso.
Jefferson, que atua como bolsista no setor de redes do CTIC, ressalta ainda que, ao aproximar o centro da rotina dos estudantes, a universidade não apenas democratiza o acesso a recursos digitais, mas também mitiga barreiras de exclusão digital. Para ele, esse “acolhimento técnico é um fator importante para a permanência estudantil”, garantindo que o aluno encontre no suporte institucional as ferramentas necessárias para concluir sua formação.
Na visão de Nillson Eduard, ministrante de Informática Básica e Programação e estudante de Engenharia da Computação, o contato com o CTIC também cumpre um papel inspirador. Para cursos relacionados à tecnologia da informação, afirma, o centro serve como um caminho de interesse para os alunos novos e também como incentivo para que colaborem com o CTIC futuramente.
Nillson observa que, por estarem dentro da estrutura do centro, os estudantes entram em contato com várias ferramentas e possibilidades presentes no laboratório. Isso, segundo ele, facilita o entendimento e a percepção sobre os problemas que poderão enfrentar no futuro, com menor esforço de abstração diante de uma análise. Em muitos casos, essa vivência desperta um sentimento de projeção profissional: o desejo de “ser bom o suficiente para estagiar e ingressar no CTIC para entender e aprender mais e mais”.
Ele também destaca que a experiência contribui para que os alunos compreendam melhor como os setores da UFPA funcionam como um organismo voltado a um bem maior. Mais do que isso, reforça a noção de que a universidade deve ser para todos e de que, mesmo sem conhecimento prévio, há possibilidades de acesso a informações e conteúdos importantes antes mesmo da primeira semana de aula.
Francisco Isnardi Begot, ministrante de Programação para a turma de Engenharia Elétrica no CTIC, destaca a centralidade dos conteúdos trabalhados nas oficinas. Em sua avaliação, é necessário capacitar e nivelar os conhecimentos em programação e informática básica por se tratarem da base de toda a computação. Em um mundo cada vez mais avançado tecnologicamente, diz, desconhecer essas ferramentas é quase como abrir mão de uma necessidade básica.
Francisco afirma que a contribuição das oficinas está em oferecer uma apresentação inicial ao pensamento crítico que acompanhará o universitário ao longo de toda a sua jornada. Para ele, os impactos são de suma importância por possibilitarem uma ampliação de ferramentas de grande relevância na vida do estudante e por permitirem um melhor aproveitamento da estrutura tecnológica da UFPA. Na visão do ministrante, a parceria também reafirma um compromisso institucional ao aproximar um centro de tamanha importância para a universidade do movimento promovido pelo Nivelamento.
Ao final, a mensagem que se consolida é clara: o ensino vai além da sala de aula comum. Ao levar os estudantes ao CTIC, o Nivelamento não apenas apresenta ferramentas e serviços digitais, mas amplia o pertencimento, fortalece a autonomia e torna mais concreta a integração dos calouros ao ambiente universitário.
Graças a essa engrenagem solidária, feita de voluntariado, acolhimento e estrutura institucional, a transição acadêmica tende a ser menos abrupta. O estudante que chega à UFPA encontra, já nos primeiros dias, não apenas conteúdo, mas orientação, prática e apoio. E, assim, a universidade reafirma que excelência acadêmica também se constrói com inclusão, preparo e permanência.
Serviço
O Projeto Nivelamento ITEC é um projeto de acolhimento acadêmico da UFPA focado em erradicar a retenção e a evasão universitária no ciclo básico. O programa oferece reforço denso e contínuo em eixos de ensino como Pré-Cálculo, Física, Química e Biologia, além de letramento digital com Informática Básica e Programação. Voltado como prioridade máxima aos calouros de Engenharias e Ciências Exatas, o projeto também inclui discentes de múltiplos institutos. Na edição de 2026, as imersões de tecnologia foram sediadas nos laboratórios do CTIC, proporcionando aos ingressantes o contato direto com a infraestrutura de rede, software e governança corporativa que sustentam as operações digitais da instituição.
Texto/foto: Thaís Raquel de Moraes | Comunicação e Marketing | CTIC UFPA.
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